É normal sentir saudade da vida antes dos filhos?
Sim. É normal sentir saudade da vida antes dos filhos.
E talvez admitir isso seja uma das coisas mais difíceis da maternidade, porque toca numa culpa silenciosa de muitas mães: “se eu sinto saudade da minha vida de antes, será que eu não deveria ter sido mãe?"
É importante você saber que sentir saudades da sua vida de antes não significa que você não ame o seu filho, e nem que tenha se arrependido de ser mãe.
Depois que um filho nasce, muitas coisas mudam ao mesmo tempo: a rotina, o sono, a liberdade, o relacionamento, o trabalho, os horários, as prioridades e até a forma como a mulher passa a enxergar a própria vida. E é claro que, em algum momento, a mulher pode sentir falta de algumas coisas que existiam antes, como por exemplo:
Saudade de dormir sem se preocupar com o horário que alguém vai acordar.
Saudade de sair de casa sem precisar organizar tantas coisas.
Saudade de ter mais tempo para si.
Saudade da relação que tinha com o marido.
Saudade do trabalho, dos amigos ou simplesmente daquela sensação de poder decidir o que fazer com o próprio dia.
Sentir saudades não significa querer voltar atrás, nós sentimos saudade de muitas fases da nossa vida que já terminaram, mesmo quando estamos felizes com aquilo que construímos depois delas.
E é aqui que aparece algo muito presente na maternidade: a ambivalência.
É possível amar profundamente o filho que nasceu e, ao mesmo tempo, sentir falta da mulher que existia antes dele.
É possível ser grata pela vida que se você tem hoje e ainda reconhecer que sente saudades de algumas coisas que ficaram para trás.
UMA COISA NÃO ANULA A OUTRA.
Ser mãe vai muito além de ter um bebê. E ter um bebê não é apenas cuidar de alguém. É também reorganizar toda a sua vida.
Porque quando nasce um bebê, uma nova mulher também começa a nascer. E esse processo envolve não apenas descobrir quem você está se tornando, mas também se despedir, aos poucos, de algumas partes da mulher que você foi até aqui.
Nem toda saudade significa arrependimento, às vezes, ela é apenas o reconhecimento de que uma fase terminou e outra começou.

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