Como ajudar seu bebê a se adaptar à vida fora da barriga
No post anterior, a gente conversou sobre como para o bebê não é nada fácil nascer, mas então vem a pergunta: Como podemos ajudar o bebê a se adaptar ao mundo, fora da barriga, de forma mais tranquila?
Simples: nós vamos tentar reproduzir algumas das condições que o bebê tinha dentro do útero, para que essa adaptação ao mundo de fora aconteça de forma mais tranquila.
E por onde começar? Pelo mais básico: proximidade.
Colo:
Dentro do útero, o bebê estava em contato constante com o corpo da mãe, então, depois que nasce, o colo pode ajudar muito nessa adaptação.
Ele sente calor, cheiro, movimento, escuta a voz e percebe a presença de alguém cuidando dele.
Mas sejamos realistas: nem sempre a mãe consegue ficar com o bebê no colo o dia inteiro. Ela pode ter outros filhos, precisar tomar banho, comer, fazer alguma coisa em casa ou simplesmente precisar das mãos livres.
E é aí que alguns recursos podem ajudar, como o sling.
Sling:
O sling pode ajudar a manter o bebê próximo ao corpo e, ao mesmo tempo, deixar a mãe com as mãos mais livres.
Ele continua sentindo o calor, o cheiro, o movimento e a proximidade do corpo de quem está carregando, o que pode ajudar bastante nessa adaptação.
Claro que é importante usar o sling de forma segura, mantendo o rosto do bebê sempre visível, as vias aéreas livres e o corpinho bem posicionado.
Nem todas as mães se adaptam ao sling, e nem todos os bebês gostam dele, então, quando o sling não funciona ou não faz sentido para a família, existem outros recursos que podem ajudar, um deles é o famoso charutinho, ou swaddle.
Charutinho / Swaddle:
O charutinho deixa o bebê mais apertadinho e aconchegado, lembrando um pouco a sensação de pouco espaço que ele tinha dentro do útero.
Alguns bebês realmente se acalmam bastante assim, mas aqui tem um cuidado importante: o bebê não deve ficar enrolado o dia inteiro, quando está acordado, ele precisa ter espaço para mexer os braços e as pernas, explorar o próprio corpo e desenvolver seus movimentos.
Então o swaddle pode ser usado principalmente como um recurso para acalmar e para o sono, sempre com os cuidados de segurança: o bebê deve dormir de barriga para cima, o charutinho não pode apertar demais as pernas e os quadris, e deve ser interrompido assim que o bebê começar a dar sinais de que está tentando rolar.
A ideia não é manter o bebê enrolado no charutinho o tempo inteiro, mas sim usar esse recurso em alguns momentos para trazer um pouco daquela sensação de aconchego que ele conhecia dentro do útero, trazendo assim calma e sensação de segurança.
E além de ficar mais aconchegado, tem outra coisa que os bebês conhecem muito bem desde a barriga: o movimento.
Movimento
Lembra que, durante a gestação, o bebê passava boa parte do tempo sendo balançado suavemente pelos movimentos da mãe? Por isso, muitos bebês se acalmam quando ficam no colo e a gente começa a andar ou balançar suavemente.
Não é raro ver um bebê irritado quando está parado e, quando você começa a caminhar pela casa com ele ou a balançá-lo suavemente, ele vai relaxando.
O movimento é uma experiência muito conhecida para ele.
E além do movimento, tem outra coisa que fazia parte o tempo inteiro da vida do bebê dentro do útero: os sons.
Sons constantes:
Você pensa que o útero é silencioso? Se sim, você está enganada.
Dentro do útero, o bebê vive cercado de sons constantes: os batimentos do coração da mãe, o fluxo do sangue, a respiração, os movimentos do intestino e também a voz dela, que chega até ele de uma forma mais abafada.
Ou seja: silêncio absoluto não fazia parte da vida dele.
Ele estava acostumado com sons constantes e previsíveis. Por isso, depois que nasce, barulhos repentinos podem assustá-lo, enquanto sons contínuos podem ajudar alguns bebês a se acalmar.
E é aí que entra o famoso ruído branco: um som contínuo, parecido com um “shhhhhhh”, que pode ajudar o bebê a relaxar e pegar no sono.
Mas aqui tem um cuidado importante: o volume deve ser baixo, o aparelho não deve ficar muito perto do bebê e não precisa ficar ligado o dia inteiro.
Tem outro som que o bebê já conhece antes mesmo de nascer: a voz da mãe.
Vozes familiares:
Durante a gestação, ele escutou muitas vezes a voz da mãe e, dependendo da rotina da família, também a voz do pai, dos irmãos ou de outras pessoas que conviviam bastante com ela.
Portanto converse com o seu bebê.
Pode falar enquanto troca a fralda, dá banho ou pega no colo:
“Agora a mamãe vai trocar você.”
“Eu estou aqui.”
“Vamos tomar banho?”
Além de essas pequenas interações fazerem parte da construção do vínculo, ouvir a fala dos adultos no dia a dia também ajuda o bebê, aos poucos, no desenvolvimento da linguagem.
E, conforme ele vai crescendo, essa troca vai contribuindo para que ele reconheça sons, palavras e amplie seu vocabulário.
E agora vamos falar de uma sensação que o bebê não sentia no útero: A FOME.
Alimentação de forma responsiva
Quando o bebê estava no útero, ele recebia nutrição continuamente através da placenta. Ele não precisava esperar para ser alimentado, agora que nasceu e não tem mais a placenta fornecendo aquilo de que precisa o tempo todo, ele começa a experimentar uma sensação nova e incômoda: a fome. E ele precisa de alguém para perceber os sinais dessa fome e alimentá-lo.
Sabe aquel história de que o bebê precisa mamar de 3 em 3 horas? Não trate isso como uma regra rígida, principalmente no começo. Muitos bebês sentem fome antes disso, e é por isso que a amamentação em livre demanda é tão importante.
Mas o que é livre demanda? É colocar o bebê no peito toda vez que ele chorar? Não.
Livre demanda é oferecer o peito quando o bebê mostra sinais de fome.
(Falaremos mais sobre isso em outro post.)
Cada bebê é único e vai ter preferências diferentes. Aos poucos, você vai conhecendo o seu bebê e descobrindo do que ele gosta, do que não gosta e o que costuma ajudá-lo a se acalmar.
Não tente fazer com que ele se adapte logo, porque isso não está totalmente no seu controle, o que está ao seu alcance é acompanhá-lo nesse processo e tentar tornar essa adaptação um pouco mais fácil para ele.
Porque adaptação leva tempo.
E eu sei que essa adaptação não é fácil nem para ele, nem para você.

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