Por que seu filho não precisa de uma mãe perfeita?
Você não precisa ser uma mãe perfeita.
Eu sei que, para muitas mulheres, isso parece óbvio, mas, na prática, não é tão simples assim, porque muitas mães se cobram para acertar o tempo todo:
Querem ter paciência sempre.
Querem saber exatamente por que o bebê está chorando.
Querem nunca se irritar.
Querem não frustrar.
Querem fazer tudo certo.
Querem não estar cansadas nunca.
E quando alguma coisa sai do esperado, começam a pensar:
“Será que eu estou sendo uma mãe ruim?”
É justamente por isso que a ideia de mãe suficientemente boa, desenvolvida pelo pediatra e psicanalista Donald Winnicott, é tão importante. Winnicott mostrou que um bebê não precisa de uma mãe perfeita, mas sim de uma MÃE SUFICIENTEMENTE BOA.
Somos humanos, portanto, falhamos. Sim, erramos.
Seu filho não precisa que você acerte sempre.
No começo da vida, o bebê precisa muito de você, ele nasce totalmente dependente: Ele não consegue se alimentar sozinho, se acalmar sozinho, entender o que está acontecendo, e por aí vai.
Por isso, cabe a você ou algum cuidador responder às necessidades dele da melhor maneira possível:
Então, se você percebe que ele está com fome, você vai alimentá-lo.
Se percebe que ele está desconfortável, você tenta entender o que aconteceu.
Pega no colo.
Acalma.
Protege.
Você vai conhecendo o seu bebê e aprendendo, aos poucos, o que cada choro pode significar.
No começo, você está muito atenta às necessidades dele, mas mesmo quando você está atenta e disponível, você não consegue responder de forma "perfeita" o tempo inteiro:
O bebê está com fome, mas precisa esperar alguns segundos enquanto você ajeita a mama ou a mamadeira.
Ele começa a chorar, mas existe um pequeno intervalo até você conseguir chegar e pegá-lo no colo.
Você acha que ele está com sono, tenta fazê-lo dormir e depois percebe que, na verdade, ele estava com fome.
Essas pequenas esperas acontecem naturalmente, porque nem sempre você consegue responder às demandas do seu bebê no mesmo instante em que ele precisa.
E isso é fundamental para a formação dele como sujeito, às vezes, nós temos muito medo de frustrar nossos filhos.
Queremos evitar o choro.
Evitar a espera.
Evitar o “não”.
Evitar qualquer desconforto que ele possa sentir.
MAS FRUSTRAÇÕES FAZEM PARTE DA VIDA, e é por isso que seu filho precisa que você falhe.
Isso não significa que você precise frustrar seu filho de propósito, significa apenas que você não vai conseguir atender tudo exatamente na hora e da forma como ele gostaria.
E, aos poucos, conforme amadurece, ele vai aprendendo a lidar com pequenas esperas, limites e com o fato de que nem tudo acontece exatamente como ele deseja.
A mãe perfeita, que antecipasse e resolvesse tudo imediatamente o tempo inteiro, seria um problema, pois não permitiria que essa experiência acontecesse.
Quando você não é perfeita, você está apresentando o mundo real para o seu filho.
E atenção: não estou dizendo que você deve frustrar seu filho para ensiná-lo.
Não é sobre fazer ele esperar para “aprender”, nem negar acolhimento para que ele “fique mais forte”.
A frustração já aparece NATURALMENTE na vida, nas pequenas esperas, nos limites e nas situações em que aquilo que ele deseja não acontece exatamente como gostaria.

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