É normal a maternidade afetar o casamento?
É muito comum que a chegada de um filho mexa bastante com o casamento, principalmente quando é o primeiro filho, porque a dinâmica do casal muda muito.
Antes dos filhos, aquele homem e aquela mulher sustentavam principalmente uma relação dual: a relação de casal, existia apenas o “eu e você”, depois que o bebê nasce, uma nova relação nasce junto com ele: a relação parental.
Agora, além de serem marido e mulher, eles também precisam aprender a ser pai e mãe juntos, ou seja, o casal precisa continuar cuidando da relação conjugal e, ao mesmo tempo, aprender a tomar decisões sobre o filho, dividir responsabilidades, lidar com diferenças na forma de cuidar, organizar a rotina e sustentar juntos as necessidades daquele bebê.
Portanto, depois que os filhos chegam, não existe mais apenas uma relação a ser cuidada, existem duas: a relação do casal e a relação parental.
Nos primeiros meses é natural que grande parte da atenção e da energia da mãe fique voltada para o bebê, afinal ela está vivendo a fase de profunda simbiose mãe-bebê (Um período em que existe uma grande aproximação física e emocional entre os dois. O bebê depende intensamente da mãe para ter suas necessidades atendidas e, por isso, é comum que ela esteja muito mergulhada nesse cuidado, mais atenta aos sinais do bebê e com menos disponibilidade para outras áreas da vida).
Então, sim, é esperado que a chegada dos filhos mexa com o casamento, mas isso não significa que devemos abandonar o relacionamento.
Nos primeiros meses, é esperado que o casal não tenha a mesma disponibilidade que tinha antes dos filhos, e tudo bem, faz parte, mas precisa existir é uma compreensão de que a relação conjugal também precisa continuar tendo um lugar dentro dessa nova família.
Você não precisa de viagens ou uma rotina perfeita a dois.para manter essa relação viva, começa com coisas muito simples: conseguir conversar sobre como cada um está vivendo essa nova fase, perceber quando o outro está sobrecarregado, não deixar que todas as conversas sejam apenas sobre o bebê e encontrar pequenos momentos de reconexão dentro da rotina possível.
Também é importante que o pai consiga ocupar de forma ativa o seu papel como pai, não apenas como alguém que “ajuda” a mãe, mas como pai daquele bebê, construindo vínculo, assumindo responsabilidades e participando verdadeiramente dessa nova organização familiar.
Porque quando nasce um filho, o casal precisa aprender a sustentar duas relações ao mesmo tempo:
a relação conjugal: entre homem e mulher
e a relação parental, entre pai e mãe.
E talvez um dos maiores desafios depois da chegada dos filhos seja justamente esse: aprender a ser pai e mãe sem deixar de continuar sendo casal.

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